Estou em casa. Você pareceu um idiota não acreditando em mim e vindo com 7 pedras na mão antes que eu pudesse sequer me levantar. Eu não liguei pra mais ninguém. Você era o único que eu achei que poderia me ajudar naquela hora. O único que talvez entenderia. Porque às vezes acho que você sou eu. E quando começa a dar tudo errado e a gente não consegue nem mais conversar sem trocar tantas alfinetadas, eu fico confusa e irritada. É como se eu tivesse brigando comigo mesmo. E cansei de brigar.
Essa música apareceu no shuffle do meu ipod logo depois que você desligou o telefone. E eu não consegui tirar do repeat. Ela disse tudo que essa hora tinha pra dizer. Me lembrou o meu caminho, me lembrou meu passado e as tantas vezes que eu ficava sozinha nessa mesma Flinders Station em Melbourne olhando por traz dos trilhos. Me lembrou que esse tropeço, essa atropelada, era um acorda, um you gonna have to move on.
Obrigada por ter me ligado. Não vou mais brigar com você. Nem comigo.
[…] Havia ainda um corredor que levava a uma porta grande e bem trancada. E quando ela tentava tirar o segredo dali só o silêncio falava. Era ali que tudo acontecia. […]
“Study me as much as you like, you will never know me, for I differ a hundred ways from what you see me to be. Put yourself behind my eyes, and see me as I see myself, for I have chosen to dwell in a place you cannot see.”
Ela deixa o tempo passar lento. Vive o restinho. Foi bom. Abre a janela e sente o cheiro do vento. Vento é ira, ira é a vida, como dizia Clarice. Fecha os olhos. Sorri. Se fumasse, esta seria a hora certa para um cigarro. O essencial é mesmo invisível aos olhos, pensou. 2011.
Mais 5 dias e ela nao quer retrospectiva. Agradece, mas o que passou é passado. E na estrada dela passado é poeira. Fica na estande, presa nos diários, fica aqui, tudo sempre guardado em palavras. Olha pra frente. O que vê é nada, mas é tudo que tem. Está escuro e ela segue sem medo mesmo sem saber. E quem sabe? O destino é cego. 2012. A vontade de ir longe a faz gostar ainda mais do perto. Percebe o quanto ama estas pessoas e este lugar. Respira fundo e se enche de dúvidas. Vai seguir incompleta e feliz. De braços abertos. Desfazendo o traço e refazendo laços. Ela deixou o tempo passar lento. E nesse devagar, ele voou…
"Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo. Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir.
Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, eles estão errados… Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar, aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore."